Saturday, December 20, 2008

CARRY HER HOME

Trouble is her only friend, and he's back again;
makes her body older than it really is.
And she says it's high time she went away,
no one’s got much to say in this town.
Trouble is the only way is down, down, down...

If she had wings she would fly away,
and another day god will give her some.
Trouble is the only way is down, down, down...

As strong as you were,
tender you go.
I'm watching you breathing
for the last time...
A song for your heart,
but when it is quiet
I know what it means...

I'll carry you home.
I'll carry you home.

James Blunt (?)

Friday, December 05, 2008

O doc aberto

A fonte se nega a excitar os pixels

Branco no branco

Thursday, November 13, 2008

Ainda que me usasse um pouco mais
Não me importava
Que te usei também

Ainda que mentisse um pouco mais
Não me importava
Que menti também

Ainda que fingisse um pouco mais
Não me importava
Que fingi também
Que viver é fingir, também

Ainda que ficasse um pouco mais
Não me importava
Que fiquei
E você se foi
Chegar bem tarde, se acabou a festa
A noite é alta, o tempo é meu escravo
O teu sorriso, nada teu me resta
A rosa mansa viu morrer o cravo.

Chegar bem cedo se morreu a festa
No meu sorriso, escravo de você
A noite é mansa e se acabou o tempo
Do cravo ter a rosa sem sofrer.

Chegou a morte nesta festa escrava
Tão manso o tempo vi sofrer as horas
E esse sorriso nosso de outras vezes
Se acabou tão cedo e sem demora.

Chegou a morte nessa vida nossa
Nós dois morremos um pro outro, apenas
Resta o orvalho no botão da rosa
O orvalho no velho cravo, apenas.

Ora

Que ele saiba.
Que ele entenda.
Que ele fale.
Que não me perca.

Que escute só o que é preciso escutar.
Que enxergue o que é preciso enxergar.
E que não me julgue pelas palavras dos outros.
Ela sabia que não pertencia àquele lugar. O tempo foi passando, lentamente, e o sentimento de inadequação persistia. Como latejando dentro dela, a continuidade era alguma coisa insuportável. Foi quando, de repente, tudo parou. A vida estática por quase dez anos. Nada aconteceu em dez anos. Emudeceu. Aquietou-se. Difícil perseguir o desconhecido. Não bate dentro dela uma vontade, não encontra um rumo. Apenas segue. O caminho vai se formando sob seus pés. É corpo desprovido de alma, vida desprovida de sentido. Ela sabe que não pertence àquele lugar.

Tuesday, November 11, 2008

...

O que fazer se o amor chegou na hora errada

Depois de tudo estar fechado

A louça empacotada, os livros embalados

Passagem só de ida

As chaves já na porta

O que fazer

Se quem te ajuda a enxergar

Está tão perto

Tão longe

E agora eu?

Onde coloco minhas malas

Já deixei.

Perdi os meus provérbios

Minhas falas...

Outra vez

Me apaixonei

Me entreguei

A todo esse enorme amor que vive em mim

Eu bem sei

Que os teus olhares não são meus

Os meus delírios hoje são pedaços

Cacos espalhados pelo chão

Todos os pedaços do meu coração.

Thursday, October 16, 2008

Insípida

Na madrugada torpe
busco teu corpo
embaixo das cobertas

Insípida
não sei por que
ainda busco
em tua boca
os beijos que me faltam

ainda espero
palavras
que me calem

...E a certeza
do teu amor
que não é meu...


Insípida
eu continuo a amar
imensamente
mesmo que o amor se canse
e resolva partir.
labora. semeia. espera. ceifa. moe. mistura. assa. ora.

E em volta tudo são escombros.
A madrugada fria me acolhe.
Tudo pára, então.
Na foto escura dos meus sonhos,
resto em teus braços.

A eternidade.
POR QUE AMAR ASSIM
TODOS OS DIAS
MESES, ANOS
TODOS OS AMORES
OS MESMOS ENGANOS

Saturday, September 20, 2008

refazer, recomeçar, repetir...

Ela sabia que não pertencia àquele lugar. O tempo foi passando lentamente, e o sentimento de inadequação persistia. Como latejando dentro dela, a continuidade era alguma coisa insuportável. Foi quando, de repente, tudo parou. A vida estática por quase 10 anos. Nada aconteceu em 10 anos. Tudo aconteceu em 10 anos. Emudeceu. Aquietou-se. Difícil perseguir o desconhecido. Não bate dentro dela uma vontade, não encontra um rumo. Apenas segue. O caminho vai se formando sob seus pés. É corpo desprovido de alma, vida desprovida de sentido. Ela sabe que não pertence àquele lugar.

Wednesday, September 17, 2008

VERSÕES SEM CENSURA

PLATAFORMA É SALTO?

Serão 5 encontros, em que a UCAM de Niterói apostará numa ação direta do aluno com o político, evitando os tradicionais debates, onde as acusações e os dossiês acabam tomando o lugar do seu real objetivo.
O Diretor José Carlos de Oliveira Santos, acredita que durante 103 anos, a Candido Mendes testemunhou a evolução da política em nosso país. Foi com o fim da Ditadura que começaram a aparecer os grandes partido e as Plataformas Políticas. “Se a gente observar a história política do Brasil, percebe logo que não tem mais palanques.” Aquela vocação política que era freqüente durante o coronelismo, quando o cargo quase que passava de pai para filho, e trazia consigo grande respeito e confiabilidade, foi substituída pela figura do marqueteiro político. Este tipo oportunista descobriu que representar a comunidade pode ser uma boa fonte de renda.
Os políticos de hoje estão mais preocupados com o escândalo, em denegrir a imagem do oponente, do que divulgar sua proposta de governo. Com os palanques substituídos por Showmícios, há quem sequer saiba o que é uma Plataforma eleitoral. Pleiteando uma vaga na máquina do governo, essa nova leva de políticos desgastou a imagem de deputados, senadores e até mesmo presidentes. Em parte, a imprensa ajudou, mostrando o lado sujo do poder.
É quase uma obrigação moral da Universidade promover essa reaproximação, e tentar despertar os alienados. José Carlos acredita que essa alienação deve ser corrigida pela mídia, informando, e não orientando. Comparecer às palestras já é um ato de cidadania.



ENCONTROS COM A POLÍTICA
Uma boa oportunidade para descobrir o valor do seu voto.

Semana que vem, os cinco candidatos à prefeitura de Niterói estarão no campus da UCAM, realizando palestras para divulgar suas plataformas políticas. O evento será aberto à população, aos funcionários e alunos de todos os cursos.
O calendário ficou desta forma: Jorge Roberto Silveira (1), Paulo Eduardo Gomes (3), Edésio da Cruz Nunes (5), Gegê Galindo (8) e Rodrigo Neves (9). Todos os encontros serão no auditório do 10º andar, às 19:30h.
Os candidatos estarão abertos a perguntas, mas não serão permitidas ofensas nem acusações.
O diretor do campus Niterói, José Carlos Oliveira dos Santos, e o coordenador executivo Julio Bordoni presidirão a mesa de debates.


Dias 01, 03, 05, 08 e 09 às 19:30h
Auditório do 10º andar
Increva-se já! As vagas são limitadas.


PANIS ET CIRCIS

O Professor Dr. Jorge Lucio Campos leciona Ciências Políticas na UCAM, nos cursos de Direito e Comunicação Social. Defensor do voto consciente, com sendo talvez "a última chance que teremos de coibir a ação cotidiana dos bárbaros (nós mesmos?) infiltrados na cidade e que apontam para a possibilidade efetiva de um caos implosivo".
O Brasil vem sendo vítima de ignorância e descaso desde os tempos de colônia. Sua “Bastilha” foi em 1989, com as Eleições Diretas para presidente. São quase 20 anos de amadurecimento social, o que molda um país adulto e capaz. A chave é fugir do “espetáculo circense” , como define Jorge Lúcio, que substituiu a vida política do país. As saídas de emergência são a informação e a lucidez. Só assim o povo pode aprender a discernir e, desta forma, escolher com sabedoria.
Ele nos sugere a reflexão: Será que o nosso país, de fato, vale a pena? Nós, brasileiros de carteirinha, precisamos logo confirmar isso...

OPINIÃO PÚBLICA

Antes de começar, é preciso contextualizar o que lemos. Diante de exemplos tão distantes em nossas memórias, como Napoleão, a Revolução Burguesa e as constantes citações medievais, a curiosidade precipitou a busca pela fonte. Parecia ter esquecido as grandes guerras. Apesar de um pouco enfadonho, bastante repetitivo e incrivelmente longo, o texto nos surpreende pelo poder de observação do autor. Depois de descoberto que Gabriel Tarde foi o primeiro teórico da opinião, e já no final do século XIX, a tarefa cansativa tornou-se prazerosa, porque estávamos observando um dos alicerces de nossa sociedade. Como arqueólogos investigando o passado, a leitura mostrou-se uma viagem através dos tempos, conduzida pelas mãos do autor. [...]


CONCLUSÃO

Após o surgimento da prensa (Gutenberg), a forma de distribuir as informações começou a ser alterada. Surgiram os jornais, como materialização da inquietude Burguesa quanto às Monarquias Absolutistas. Mesmo que os ideais fossem, inegavelmente, igualitários , o resultado final foi controverso. Substituiu-se um poder por outro. O sangue pelo dinheiro. Paulatinamente o Capitalismo tomou a forma que tão bem dissecamos hoje, apesar de estarmos longe de uma alternativa de regime.

A imprensa, engatinhando nesse cenário febril, onde as ideologias ainda não sabiam bem ao certo o que pregavam, modelou-se “conforme a música”. Fortalecida pelas guerras, a indústria da fome, o crescente número de cabeças do rebanho eleitoreiro terceiro mundista (que precisam ser controladas, aliviadas, conformadas), tornou-se um poder quase que soberano. Hoje, conhecedora cada dia mais convicta de sua influência, mantendo seus espectadores entretidos (Não é a sociedade o belo espetáculo de Guy Dèbord?) , a mídia comanda as opiniões e todas as suas vertentes.

Instruídos, temos a chance de escolher nossos caminhos. Tarde desenovela os emaranhados de influência e controle do quarto poder, mesmo antes deles estarem visíveis. Profeticamente nos lega a responsabilidade de continuar esse caminho desenfreado e oportunista, que cava em todos os saberes uma forma de amontoar o “vil metal” ou escolher a mudança. Basta informação e consciência. Cortando esses fios, deixaremos de ser marionetes e poderemos caminhar com nossos próprios pensamentos.

Monday, September 15, 2008

Rainer Maria Rilke - Praga - 1875-1926

- Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?

Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.

(Tradução: Paulo Plínio Abreu)

Monday, September 01, 2008

Naftalina

SALÃO DE LEITURA CONSOLIDA O CAMINHO NIEMEYER COMO ESPAÇO CULTURAL DA CIDADE

De 27 de março a 1º de abril de 2008, o evento oferece um grande leque de discussões em torno das linguagens humanas.


“Ele é nosso. Precisamos ocupá-lo.” Assim sintetiza Vania Laneuville, assessora de comunicação do 2º Salão de Leitura de Niterói. Com 131 stands, 78 expositores e 29 mil visitantes em quatro dias, apresentando no total 312 atividades, recebendo a visita de 3.500 alunos da rede pública por dia, Niterói consegue fortalecer o evento Bienal e colocá-lo como um dos três maiores do Estado (junto à Bienal do livro e à Feira de Paraty).
Para garantir o sucesso da empreitada, não foram medidos esforços. Convidados como Bia Bedran, Ariano Suassuna, Elisa Lucinda, André Trigueiro, Evanildo Bechara, Carlos Eduardo Novaes, Thalita Rebouças, e Antônio Olinto garantiram seus nomes na lista de presença. Contação de Histórias. Teatro de Fantoches. Oficinas de Origami. Tudo para levar o público a visitar o Salão e prestigiar o Caminho Niemeyer.

Programação para todos
As deficiências nas instalações foram contornadas pela diversidade da programação. E tudo gratuito. Não teve como ficar de fora. Desde os alfabetizandos até os mais eruditos puderam encontrar opções. De estandes promovendo contação de histórias até palestras relativamente elitizadas como Ariano Suassuna e o Imortal Evanildo Bechara, o evento abrangeu todas as faixas etárias, econômicas e sociais. “O Teatro está cuspindo gente”, brinca o segurança. “Está o tempo todo assim”. Contagiado, um sorriso gigante na boca, completou “Mas se a senhora não se incomodar, pode ficar em pé e assistir. Tá todo mundo gostando”.
Já no Memorial Roberto Silveira, mostra de cinema agrada os estudantes, “Mas poderia ter mais desenhos brasileiros”, Diz Kellen, 16 anos, estudante da rede pública. As animações Canadenses e Inglesas ocuparam a maior parte das projeções.

Preocupação com a Internet
Entre as atividades, bastante destaque para os minicursos, que vão ensinar como criar um blog e entrar no Orkut. Mostram a preocupação com a Inclusão Social. Para muitos dos visitantes, a Internet ainda não é realidade. É importante que as crianças tenham contato com ela de forma positiva. A orientação dos estandes fez toda a diferença para muitos deles, abarrotados na frente dos monitores, explorando o mágico mundo que se desenha pelos pixels. Alguns hipnotizados pela fala dos orientadores, ficavam com as boquinhas abertas. Daqui a alguns anos, quando entrarem no mercado de trabalho, o conhecimento de internet vai ser essencial para eles.

Democratização do acesso à leitura
Muitos lançamentos e relançamentos de livros e a presença dos autores para atrair os visitantes a olhar o livro mais de perto. Talvez não seja falta de livros, como sugeriram algumas professoras; nem falta de leitores, como sugeriu o mestre Carlos Eduardo Novaes com o tema “como viver de literatura num país sem leitores.” É possível que eles apenas não estejam se encontrando muito ultimamente. Porque de longe a gente pode ver gente de todas as idades, principalmente as crianças, se embolando pra ver, tocar, sentir o livro nas mãos.
Olhinhos brilhantes, lá vão elas de volta pra casa com o presente da FME – o livro. A Fundação viabilizou um vale-livro para que cada criança da rede municipal pudesse levar um para casa, à sua escolha. O contato com a leitura, o valor do livro, as diversas formas de ler, estão sendo cada dia mais valorizados. Dessa maneira estamos formando cidadãos mais capazes, pessoas mais completas. Isso é realmente semear um país melhor.
Fica a certeza de que esse evento tem tudo para se perpetuar. A cidade de Niterói está crescendo culturalmente a cada dia. Finalmente o Espaço Cultural caiu no gosto do povo. E quem ia acreditar que o Teatro Popular ia ser tão popular mesmo? Pena que não é todo ano. Pena mesmo que não é todo dia.

Tuesday, August 19, 2008

QUANTO ENTORPECEMOS?

Entorpecente: [...] que ou o que age no sistema nervoso central, provocando estado de entorpecimento, de embriaguez, e que, mesmo tolerável em doses altas pelo organismo, freq. causa dependência e progressivos danos físicos e/ou psíquicos (diz-se de droga, medicamento ou outra substância); estupefaciente (Houaiss online)

A mídia divulga, por todos os seus veículos, os grandes riscos causados à saúde pelo uso continuado de entorpecentes. A mesma mídia que adverte, promove o tabagismo, o alcoolismo e muitas outras formas lícitas ou ilícitas de entorpecimento. A causa de tudo isso é, possivelmente, o capitalismo. Seja pelas assombrosas cifras atingidas pela indústria destes produtos, ou pela completa falta de perspectiva que se instalou nos indivíduos, certamente, o modelo de governo vai acabar levando a maior fatia da culpa.
Minha mãe tem 72 anos, fuma há 60, e, sob risco de perder uma das pernas em conseqüência da dependência do cigarro, afirma sentir-se traída por Hollywood, que ensinou sua geração, através de suas divas, que fumar era bonito, charmoso, elegante, uma forma de afirmar a independência da mulher. Interessante isso, de afirmar a independência ficando dependente de uma droga. O cigarro comprometeu suas artérias, seus pulmões, seu coração, de forma irremediável. O mais incrível de tudo é a agonia de ver uma pessoa lúcida e esclarecida escravizada por um rolo de papel que se queima. Como uma catarse, o fogo consome seus problemas, seus pensamentos. A carne sucumbe à mente enfraquecida pela toxina e ela, como milhares de outras pessoas, não consegue parar.
Mesmo longe da capital do cinema, gerações inteiras se perdem na tentativa de “se encontrar”. Cada dia mais baratinados com o fluxo incessante de imperativos consumistas, opilados pela incapacidade se suprir suas “necessidades” materiais, intoxicados de frustrações e medos, encontram nos entorpecentes uma alternativa à realidade para a qual não foram preparados. Não somos preparados. Fugimos da dor de várias formas: lendo, jogando, assistindo TV, tendo prazer. O dependente é apenas aquele que escolheu (infelizmente) a forma errada de escapar (momentaneamente) da verdade, o que é indispensável para seguir vivendo.
Resta de tudo a certeza de que anestesiar é fazer cessar a dor, e enquanto houver homem e sentimento haverá sofrimento, garantindo o lugar dos tóxicos em nossas prateleiras, gavetas e bolsas. Há mercado para a alienação e, como o Neoliberalismo é democrático, temos liberdade de comprar todo o tipo de aparato que nos faça mais frágeis, mais susceptíveis, mais domináveis.

ERA UMA VEZ...

Era uma vez uma princesa que morava num castelo, no alto de uma montanha, encostadinho no céu. O castelo tinha torres mais altas do que as nuvens, torres de escadas bem compridas, que subiam rodeando até uma varandinha. Cada uma tinha um sino. Um grave, um agudo; no meio do castelo, onde a torre mais alta de todas as três se erguia, acima das brancas nuvens, onde nem sequer chovia, tinha um sino que era mudo.
A princesa que morava, mas bem pouco conhecia o castelo em que vivia, porque sonhava dormindo de noite, encobertada, mas sonhava mais de dia, enquanto só vagueava. De fato perambulava pelos pátios e salões. Lá, de noite, era frio, por isso nossa princesa dormia cheia de colchas, edredons, mantas e tias. As tias ficavam lá, afofando a cobertura, enquanto a menina estava em seu sonho perseguindo uma ou outra criatura.
Mas de dia, que formosura! O sol vinha e enchia os vitrais do tal castelo com luz, cores, alegria! A criadagem ciscava, de cá pra lá, num balé, seguindo a princesa a pé, na cola, sempre pertinho, esperando algum momento ouvir algum barulhinho sair de dentro da moça. Nem que fosse um suspiro. Nem que fosse uma grossura. Eles queriam ouvir era a voz de cotovia da bendita princesinha que agora só sonhava. Sonhava e se escondia.
Numa dessas caminhadas que fazia todo dia, a princesa percebeu uma placa que dizia: “É PROIBIDA A ENTRADA, SEJA DE NOITE OU DE DIA. ESTÁ SUJEITO A SER PRESO O ATREVIDO QUE SUBIR POR ESSA ESCADARIA.”
E agora, o que fazer? O que será que estava aquela placa escondendo? Tentava ela impedir que alguém ficasse preso num lugar estranho e horrendo?
– A princesa estremecia...
Tentava a placa manter preso um monstro bem monstruoso, que se pudesse fugir comeria cada olho que conseguisse atingir?
– A princesa se encolhia...
Será que a placa era velha, o lugar já estava lindo, o monstro já estava morto, de velhinho, e o enterro seria naqueles dias?
– A princesa se animou. De certo era isso! E começou a escalar a escada que se enroscava pela torre que subia acima das brancas nuvens, onde nem sequer chovia...
E o que ela encontrou? Nosso sino mudo, triste, solitário, empoeirado, pendurado sem badalo, o badalo ali largado... a corda toda poída... seus desenhos mal tratados... pobre sino... todo acabado...
Por que alguém largaria um sino tão precioso em tão péssimo estado?
Ela pegou seu lencinho e começou a polir uma das beiradinhas do sino. Foi vendo que apareciam desenhos, letras, e cores. A princesa se empolgou. Começou a imaginar seu sino cheio de flores, badalando sem parar, ali do alto da torre, sempre para anunciar um dia mais que perfeito que iria começar. E de noitinha, de novo, batendo suavemente, avisando que era hora de ir escovar os dentes e dormir um bom soninho, todo bem encolhidinho na sua cama quentinha toda apinhada de tias.
E enquanto imaginava, e com o lenço polia, o sol batia no sino e de repente a torre estava cheia de luz. E a menina ouviu, não sei como, bem baixinho, lá de dentro, uma doce voz dizendo: como é gostoso isso que você está fazendo...
A princesa se assustou!
Deu um pulo para trás.
Parou, olhou em volta. N-I-N-G-U-É-M!
De onde é que vinha a voz?
Seria mal assombrada a torre onde vivia o lindo sino dos sonhos da moça que o polia?
Ouviu chamar a criada, que já era meio dia e o almoço estava pronto, servido na prataria, espalhado pela mesa, enorme, em que comia sozinha nossa princesa. Quer de noite, quer de dia.

[TO BE CONTINUED]

1988

Em 1988, a gente ouvia rock. Dire Straits, Pet Shop Boys, Legião Urbana, Biquini Cavadão, Titãs. Não existia Axé nem Hip Hop. Era tudo muito diferente.
A gente não ficava, namorava. Não se declarava o amor, mas “tocava” o outro. E as festas aconteciam nos Playgrounds ou mesmo nos apartamentos. Com sorte algum colega que morava em um condomínio maior conseguia alugar o play e então ficávamos um pouco mais protegidos da “fiscalização”. As meninas levavam as comidas, e os garotos os refrigerantes. A gente dançava até doerem os pés. Pulava, cantava, tudo no bom estilo New Wave que era o hit daquela época. Depois vinha a música lenta, que a gente levava coladinhos,passinhos errados mesmo, como um grande abraço com trilha sonora. E, claro, a gente beijava muito. Isso, até hoje, não mudou nada.
Nessa hora calma os pares se formavam. Então, tudo perdia o ar de festa e virava encontro. Os grupos se dissolviam em casais, e pouca gente ainda dançava.
Em 1988, eu tinha um melhor amigo, daqueles que fazem tudo junto com a gente. Piscina, praia, cinema, shopping, televisão. A gente sentava nas duas primeiras carteiras da sala, na fila do canto direito.. Era certo ouvir os professores reclamarem do nosso “ti ti ti” durante a aula. Eu gostava dele. Ele gostava de mim. E aquela festa, no condomínio da Rua Silva Rabelo foi o momento mais esperado do mês inteiro.
Quando a música já se perdia, nos encontramos. Gaguejando, tremendo, porque amigos não dançam música lenta e tudo aquilo era uma grande novidade, apesar de já esperada. No acorde final, meu pai chegou para me buscar. Eu guardo apenas o Hai Kai, mesmo que fora da métrica:

Final de festa
Na boca dos amigos
Um beijo amante

CONFABULAÇÕES

O jornal não é apenas um instrumento de informação. Ele também tem um papel social, formativo e de entretenimento. Nos mostra propagandas, que muitas vezes contradizem algumas das matérias veiculadas. O jornal é uma maneira de aprendermos a ver o mundo. “Cada um tem sua cara, cada um tem o seu jeito, cada um tem uma história pra contar.” [1]
Se é um veículo de massa, isso vai realmente depender do jornal. Da sua linha de pensamento, da forma que usa para se apresentar e, infelizmente, do preço que custa cada exemplar.
O fato é que a arte de expor as notícias é uma forma de exercer o jornalismo muito pouco reconhecida, mas cada dia com papel mais importante em nossas bancas. Como a imagem predomina, muitas vezes basta passar os olhos para saber do que se trata. Nesse caso, a despeito da profundidade do conteúdo informado, prevalece o fotógrafo, o designer, o programador visual. São eles muitas vezes iscas para a atenção do leitor, que vagueia naquele mar de letrinhas miúdas, enquanto a cabeça está longe. Fisgado pela arte, acaba lendo o texto.
Seja o leitor do Meia Hora, da Folha de São Paulo ou do jornalzinho da paróquia, todos são influenciados pela diagramação, pelo charme das ilustrações, e pela disposição dos conteúdos no desenrolar das páginas.
Assim, acredito que cada formato tem seu espaço, cada fonte tem seu uso, e cada cor tem um motivo, tantos quantos somos indivíduos neste planeta. Não há, nem deve haver, como padronizar a manifestação artística (escrita ou não). Porque transmitir a informação é uma arte, e não pode ser padronizada. Sempre haverá leitor para todos os tipos de texto, como apreciadores para todos os tipos de arte. A questão econômica capitalista vem forçando esse corpo de elite a se encaixar em formatos de página, laudas, tamanho de fonte, e o que sobra da publicidade. Todos perdemos. Só o capital ganha.


[1] Letra de musica da peça teatral “O pequenino grão de areia”.