Antes de começar, é preciso contextualizar o que lemos. Diante de exemplos tão distantes em nossas memórias, como Napoleão, a Revolução Burguesa e as constantes citações medievais, a curiosidade precipitou a busca pela fonte. Parecia ter esquecido as grandes guerras. Apesar de um pouco enfadonho, bastante repetitivo e incrivelmente longo, o texto nos surpreende pelo poder de observação do autor. Depois de descoberto que Gabriel Tarde foi o primeiro teórico da opinião, e já no final do século XIX, a tarefa cansativa tornou-se prazerosa, porque estávamos observando um dos alicerces de nossa sociedade. Como arqueólogos investigando o passado, a leitura mostrou-se uma viagem através dos tempos, conduzida pelas mãos do autor. [...]
CONCLUSÃO
Após o surgimento da prensa (Gutenberg), a forma de distribuir as informações começou a ser alterada. Surgiram os jornais, como materialização da inquietude Burguesa quanto às Monarquias Absolutistas. Mesmo que os ideais fossem, inegavelmente, igualitários , o resultado final foi controverso. Substituiu-se um poder por outro. O sangue pelo dinheiro. Paulatinamente o Capitalismo tomou a forma que tão bem dissecamos hoje, apesar de estarmos longe de uma alternativa de regime.
A imprensa, engatinhando nesse cenário febril, onde as ideologias ainda não sabiam bem ao certo o que pregavam, modelou-se “conforme a música”. Fortalecida pelas guerras, a indústria da fome, o crescente número de cabeças do rebanho eleitoreiro terceiro mundista (que precisam ser controladas, aliviadas, conformadas), tornou-se um poder quase que soberano. Hoje, conhecedora cada dia mais convicta de sua influência, mantendo seus espectadores entretidos (Não é a sociedade o belo espetáculo de Guy Dèbord?) , a mídia comanda as opiniões e todas as suas vertentes.
Instruídos, temos a chance de escolher nossos caminhos. Tarde desenovela os emaranhados de influência e controle do quarto poder, mesmo antes deles estarem visíveis. Profeticamente nos lega a responsabilidade de continuar esse caminho desenfreado e oportunista, que cava em todos os saberes uma forma de amontoar o “vil metal” ou escolher a mudança. Basta informação e consciência. Cortando esses fios, deixaremos de ser marionetes e poderemos caminhar com nossos próprios pensamentos.
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