Thursday, March 12, 2009

Gabriel Tarde

Após o surgimento da prensa (Gutenberg), a forma de distribuir as informações começou a ser alterada. Surgiram os jornais, como materialização da inquietude Burguesa quanto às Monarquias Absolutistas. Mesmo que os ideais fossem, inegavelmente, igualitários , o resultado final foi controverso. Substituiu-se um poder por outro. O sangue pelo dinheiro. Paulatinamente o Capitalismo tomou a forma que tão bem dissecamos hoje, apesar de estarmos longe de uma alternativa de regime.

A imprensa, engatinhando nesse cenário febril, onde as ideologias ainda não sabiam bem ao certo o que pregavam, modelou-se “conforme a música”. Fortalecida pelas guerras, a indústria da fome, o crescente número de cabeças do rebanho eleitoreiro terceiro mundista (que precisam ser controladas, aliviadas, conformadas), tornou-se um poder quase que soberano. Hoje, conhecedora cada dia mais convicta de sua influência, mantendo seus espectadores entretidos (Não é a sociedade o belo espetáculo de Guy Dèbord?) , a mídia comanda as opiniões e todas as suas vertentes.

Instruídos, temos a chance de escolher nossos caminhos. Tarde desenovela os emaranhados de influência e controle do quarto poder, mesmo antes deles estarem visíveis. Profeticamente nos lega a responsabilidade de continuar esse caminho desenfreado e oportunista, que cava em todos os saberes uma forma de amontoar o “vil metal” ou escolher a mudança. Basta informação e consciência. Cortando esses fios, deixaremos de ser marionetes e poderemos caminhar com nossos próprios pensamentos.

A imprensa deve ser LIVRE?


Nenhuma liberdade alcançada através de patrocínio é verdadeiramente livre. A Revolução Francesa foi custeada pela burguesia, deslumbrada com o poder que escorreria pelos dedos da nobreza. Muitas revoluções rezaram o credo da liberdade em nome de vaidades pessoais ou interesses econômicos, fazendo-se valer dos idealistas para mobilizar a massa e atingir seus objetivos.

Adolescente social, O Brasil vem desfrutando da democracia desde 1989 (enquanto a frança começou a experimentar da taça em 1789). Falta educação, falta cidadania. Censurar ou ditar limites em uma situação de tanta manipulação pode ser perigoso ou terminar em pizza. Mesmo que seja resolvido tratar a imprensa pelo código penal, as penalidades a que serão sujeitos os jornalistas, editores e veículos estão, assim como a opinião pública, sujeitas às mesmas leis de mercado - oferta e demanda, já que o sistema “de governo” de nosso país é o Capitalismo.
Nenhuma liberdade alcançada através do abuso da maioria para a conveniência da minoria é infimamente livre. Depende da sociedade, de seus valores morais, do respeito mútuo e, principalmente, da própria liberdade, a mudança da situação. A imprensa tem que ser livre. Porque nenhuma liberdade é fácil de ter, nem vem com manual de instruções. Apenas através do seu exercício é que passamos a perceber o valor de sua presença.