Thursday, November 13, 2008

Ainda que me usasse um pouco mais
Não me importava
Que te usei também

Ainda que mentisse um pouco mais
Não me importava
Que menti também

Ainda que fingisse um pouco mais
Não me importava
Que fingi também
Que viver é fingir, também

Ainda que ficasse um pouco mais
Não me importava
Que fiquei
E você se foi
Chegar bem tarde, se acabou a festa
A noite é alta, o tempo é meu escravo
O teu sorriso, nada teu me resta
A rosa mansa viu morrer o cravo.

Chegar bem cedo se morreu a festa
No meu sorriso, escravo de você
A noite é mansa e se acabou o tempo
Do cravo ter a rosa sem sofrer.

Chegou a morte nesta festa escrava
Tão manso o tempo vi sofrer as horas
E esse sorriso nosso de outras vezes
Se acabou tão cedo e sem demora.

Chegou a morte nessa vida nossa
Nós dois morremos um pro outro, apenas
Resta o orvalho no botão da rosa
O orvalho no velho cravo, apenas.

Ora

Que ele saiba.
Que ele entenda.
Que ele fale.
Que não me perca.

Que escute só o que é preciso escutar.
Que enxergue o que é preciso enxergar.
E que não me julgue pelas palavras dos outros.
Ela sabia que não pertencia àquele lugar. O tempo foi passando, lentamente, e o sentimento de inadequação persistia. Como latejando dentro dela, a continuidade era alguma coisa insuportável. Foi quando, de repente, tudo parou. A vida estática por quase dez anos. Nada aconteceu em dez anos. Emudeceu. Aquietou-se. Difícil perseguir o desconhecido. Não bate dentro dela uma vontade, não encontra um rumo. Apenas segue. O caminho vai se formando sob seus pés. É corpo desprovido de alma, vida desprovida de sentido. Ela sabe que não pertence àquele lugar.

Tuesday, November 11, 2008

...

O que fazer se o amor chegou na hora errada

Depois de tudo estar fechado

A louça empacotada, os livros embalados

Passagem só de ida

As chaves já na porta

O que fazer

Se quem te ajuda a enxergar

Está tão perto

Tão longe

E agora eu?

Onde coloco minhas malas

Já deixei.

Perdi os meus provérbios

Minhas falas...

Outra vez

Me apaixonei

Me entreguei

A todo esse enorme amor que vive em mim

Eu bem sei

Que os teus olhares não são meus

Os meus delírios hoje são pedaços

Cacos espalhados pelo chão

Todos os pedaços do meu coração.