Eu não entendo de futebol, muito menos de política. Isso, no entanto, não me impediu de tentar descobrir por que agora, todo ano de eleição tem copa do mundo. Ou será o contrário?
Em 1928, Jules Rimet (aquele da taça) propôs que se “celebrassem” os jogos de quatro em quatro anos. Duvido muito que, em Amsterdã, naquela época, alguém se importasse com o quadro eleitoral brasileiro.
O Uruguai ganhou a copa de 1930 (o ano do golpe), mas o Brasil foi desclassificado na primeira fase. Em 1958, no meio do governo J.K. (1956-1961), a inigualável dupla Garrincha-Pelé trouxe, pela primeira vez a taça, recebida das mãos do rei da Suécia. Goulart era presidente em 1962 (1961-1964), e conquistamos, no Chile, o bicampeonato. Em pleno golpe militar, a Seleção Canarinho arrebatou a Jules Rimet (que foi roubada, derretida, e virou enredo de escola de samba no país do carnaval). O presidente era Médici (1969-1974), e esse campeonato foi muito bem explorado politicamente pelo governo do Golpe.
O primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso contou com a ajuda do tetracampeonato de Parreira (1995-1998). O país, preocupado com as convulsões de Ronaldinho e desiludido com a derrota (vendida?) e vergonhosa para a França de Zidane, reelegeu F.H.C.(1999-2002). Lula chegou ao Planalto com a estrela do penta (2003-2006).
Enquanto pesquisava, tentando descobrir quem, inadvertidamente, instituiu essa piada, me lembrei que em 1988 foi promulgada a nova Constituição. Eles tiveram a oportunidade de dessacramentar a política do pão e circo. Mas não houve interesse. Afinal, “Em time que está ganhando não se mexe”. Há mais mistérios entre o final da ditadura, no governo Figueiredo e a eleição de 1994, do que pode imaginar a nossa vã filosofia...
2006 não será um ano difícil para nosso país. Essa nova seleção do Parreira tem tantas estrelas que promete trazer a sexta. Se isso vai afetar o resultado das urnas? Não ouso me pronunciar... Vamos esperar para ver.
Saturday, May 27, 2006
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