Saturday, October 03, 2009

Rio de Janeiro recebe regata liderada por Torben Grael

A Marina da Glória recebeu mais uma vez as 7 embarcações que estão participando da Regata Volvo Ocean Race. A oitava equipe, Team Russia, teve que abandonar a competição, por falta de patrocínio.
Mesmo completando a perna Qingdao-Rio em segundo lugar, Torben Grael manteve a tripulação do Ericsson 4, que tem mais dois brasileiros, em primeiro lugar na classificação geral, depois de 41 dias embarcado. O primeiro a aportar na marina foi o Ericsson 3. Ainda no Rio, a regata terá uma etapa IP (In Port) no próximo sábado, dia 4, com largada marcada para as 13 horas, na Baía de Guanabara.
“Como somos da casa, e conhecemos a raia, as correntes, marés, temos maiores chances de ganhar. Mas isso não é nenhuma garantia, pois na outra edição, mesmo com tudo isso o Brasil 1 não chegou nem perto de vencer... mas como o barco E4 é bom, as chances são boas.”, comenta Arthur Rossi, que acompanha a regata diariamente pelo site e participa da simulação criada para a internet. A versão Online conta, até agora, com mais de 180 mil participantes. O jogo oferece simulação da previsão dos ventos igual à recebida pelos barcos no mar, e faz os internautas sentirem o gostinho de estar no meio do oceano sem precisarem sair de casa. Dia 11 de abril a regata voltará a mar aberto, seguindo para Boston, cumprindo a 6ª perna da competição.
Bouwe Bekking, o Holandês Capitão do Telefônica Blue, estava na Marina conferindo os reparos do barco neste domingo. Ele perdeu a nau na última edição da regata, a mesma que vitimou um tripulante do ABN2. Nas águas agressivas do atlântico norte, ele havia jurado nunca mais voltar a participar dessa competição.


Questionado sobre seu retorno ao mar, descontraído, ele riu, gesticulou um sinal internacional e disse “I am mad” (eu sou maluco). Sem dúvida, aos 45 anos, Bekking tem experiência de sobra e conhece seus limites. Em circunstâncias tão extremas, o esporte toma dimensão humana e passa a ser um exercício de superação.
A regata começou em 1973, com o nome Whitbread Round the World Race, e tem patrocínio da Volvo pela terceira edição consecutiva. Em 35 anos de existência, dessa vez a corrida foi considerada a de maior milhagem e teve a perna mais longa (Qingdao-Rio) de todos os tempos. Parte disso se deve ao desenvolvimento tecnológico na engenharia naval, e à experiência dos competidores, que eleva o nível do evento. Muitos patrocinadores não têm grande representação no Brasil, onde os esportes náuticos tiveram maior exposição apenas nos últimos dez anos, depois do acidente que causou a amputação da perna do medalhista Olímpico Lars Grael.
As instalações da Marina passaram por uma grande reforma antes do Pan, que possibilitou receber uma competição desta magnitude. Antes, a etapa brasileira tinha sede na ilha de São Sebastião, em São Paulo.

Thursday, March 12, 2009

Gabriel Tarde

Após o surgimento da prensa (Gutenberg), a forma de distribuir as informações começou a ser alterada. Surgiram os jornais, como materialização da inquietude Burguesa quanto às Monarquias Absolutistas. Mesmo que os ideais fossem, inegavelmente, igualitários , o resultado final foi controverso. Substituiu-se um poder por outro. O sangue pelo dinheiro. Paulatinamente o Capitalismo tomou a forma que tão bem dissecamos hoje, apesar de estarmos longe de uma alternativa de regime.

A imprensa, engatinhando nesse cenário febril, onde as ideologias ainda não sabiam bem ao certo o que pregavam, modelou-se “conforme a música”. Fortalecida pelas guerras, a indústria da fome, o crescente número de cabeças do rebanho eleitoreiro terceiro mundista (que precisam ser controladas, aliviadas, conformadas), tornou-se um poder quase que soberano. Hoje, conhecedora cada dia mais convicta de sua influência, mantendo seus espectadores entretidos (Não é a sociedade o belo espetáculo de Guy Dèbord?) , a mídia comanda as opiniões e todas as suas vertentes.

Instruídos, temos a chance de escolher nossos caminhos. Tarde desenovela os emaranhados de influência e controle do quarto poder, mesmo antes deles estarem visíveis. Profeticamente nos lega a responsabilidade de continuar esse caminho desenfreado e oportunista, que cava em todos os saberes uma forma de amontoar o “vil metal” ou escolher a mudança. Basta informação e consciência. Cortando esses fios, deixaremos de ser marionetes e poderemos caminhar com nossos próprios pensamentos.

A imprensa deve ser LIVRE?


Nenhuma liberdade alcançada através de patrocínio é verdadeiramente livre. A Revolução Francesa foi custeada pela burguesia, deslumbrada com o poder que escorreria pelos dedos da nobreza. Muitas revoluções rezaram o credo da liberdade em nome de vaidades pessoais ou interesses econômicos, fazendo-se valer dos idealistas para mobilizar a massa e atingir seus objetivos.

Adolescente social, O Brasil vem desfrutando da democracia desde 1989 (enquanto a frança começou a experimentar da taça em 1789). Falta educação, falta cidadania. Censurar ou ditar limites em uma situação de tanta manipulação pode ser perigoso ou terminar em pizza. Mesmo que seja resolvido tratar a imprensa pelo código penal, as penalidades a que serão sujeitos os jornalistas, editores e veículos estão, assim como a opinião pública, sujeitas às mesmas leis de mercado - oferta e demanda, já que o sistema “de governo” de nosso país é o Capitalismo.
Nenhuma liberdade alcançada através do abuso da maioria para a conveniência da minoria é infimamente livre. Depende da sociedade, de seus valores morais, do respeito mútuo e, principalmente, da própria liberdade, a mudança da situação. A imprensa tem que ser livre. Porque nenhuma liberdade é fácil de ter, nem vem com manual de instruções. Apenas através do seu exercício é que passamos a perceber o valor de sua presença.