Tuesday, August 19, 2008

CONFABULAÇÕES

O jornal não é apenas um instrumento de informação. Ele também tem um papel social, formativo e de entretenimento. Nos mostra propagandas, que muitas vezes contradizem algumas das matérias veiculadas. O jornal é uma maneira de aprendermos a ver o mundo. “Cada um tem sua cara, cada um tem o seu jeito, cada um tem uma história pra contar.” [1]
Se é um veículo de massa, isso vai realmente depender do jornal. Da sua linha de pensamento, da forma que usa para se apresentar e, infelizmente, do preço que custa cada exemplar.
O fato é que a arte de expor as notícias é uma forma de exercer o jornalismo muito pouco reconhecida, mas cada dia com papel mais importante em nossas bancas. Como a imagem predomina, muitas vezes basta passar os olhos para saber do que se trata. Nesse caso, a despeito da profundidade do conteúdo informado, prevalece o fotógrafo, o designer, o programador visual. São eles muitas vezes iscas para a atenção do leitor, que vagueia naquele mar de letrinhas miúdas, enquanto a cabeça está longe. Fisgado pela arte, acaba lendo o texto.
Seja o leitor do Meia Hora, da Folha de São Paulo ou do jornalzinho da paróquia, todos são influenciados pela diagramação, pelo charme das ilustrações, e pela disposição dos conteúdos no desenrolar das páginas.
Assim, acredito que cada formato tem seu espaço, cada fonte tem seu uso, e cada cor tem um motivo, tantos quantos somos indivíduos neste planeta. Não há, nem deve haver, como padronizar a manifestação artística (escrita ou não). Porque transmitir a informação é uma arte, e não pode ser padronizada. Sempre haverá leitor para todos os tipos de texto, como apreciadores para todos os tipos de arte. A questão econômica capitalista vem forçando esse corpo de elite a se encaixar em formatos de página, laudas, tamanho de fonte, e o que sobra da publicidade. Todos perdemos. Só o capital ganha.


[1] Letra de musica da peça teatral “O pequenino grão de areia”.

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