Em 1988, a gente ouvia rock. Dire Straits, Pet Shop Boys, Legião Urbana, Biquini Cavadão, Titãs. Não existia Axé nem Hip Hop. Era tudo muito diferente.
A gente não ficava, namorava. Não se declarava o amor, mas “tocava” o outro. E as festas aconteciam nos Playgrounds ou mesmo nos apartamentos. Com sorte algum colega que morava em um condomínio maior conseguia alugar o play e então ficávamos um pouco mais protegidos da “fiscalização”. As meninas levavam as comidas, e os garotos os refrigerantes. A gente dançava até doerem os pés. Pulava, cantava, tudo no bom estilo New Wave que era o hit daquela época. Depois vinha a música lenta, que a gente levava coladinhos,passinhos errados mesmo, como um grande abraço com trilha sonora. E, claro, a gente beijava muito. Isso, até hoje, não mudou nada.
Nessa hora calma os pares se formavam. Então, tudo perdia o ar de festa e virava encontro. Os grupos se dissolviam em casais, e pouca gente ainda dançava.
Em 1988, eu tinha um melhor amigo, daqueles que fazem tudo junto com a gente. Piscina, praia, cinema, shopping, televisão. A gente sentava nas duas primeiras carteiras da sala, na fila do canto direito.. Era certo ouvir os professores reclamarem do nosso “ti ti ti” durante a aula. Eu gostava dele. Ele gostava de mim. E aquela festa, no condomínio da Rua Silva Rabelo foi o momento mais esperado do mês inteiro.
Quando a música já se perdia, nos encontramos. Gaguejando, tremendo, porque amigos não dançam música lenta e tudo aquilo era uma grande novidade, apesar de já esperada. No acorde final, meu pai chegou para me buscar. Eu guardo apenas o Hai Kai, mesmo que fora da métrica:
Final de festa
Na boca dos amigos
Um beijo amante
Tuesday, August 19, 2008
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